Tênis caro e de grife não garante melhora na perfomance dos atletas, revela estudo

Você se lembra do etíope Abebe Bikila, ganhador da maratona dos jogos Olímpicos de Roma, em 1960? Caso a resposta seja negativa, alguma lembrança em relação ao nome da sul-africana Zola Budd e da brasileira Jorilda Sabino? A história é mais simples do que parece, todos esses atletas conquistaram importantes títulos correndo descalços. Budd venceu os 3.000 metros da Olimpíada de Los Angeles (1984) e Jorilda Sabino foi bicampeã da São Silvestre (1983 a 1985).

Diante deste contexto, o que dizer sobre a importância de usar um tênis caro que promete diversos benefícios? O diretor de Pesquisa & Ensino da Newton Running, Ian Adamson, mestre em Medicina Desportiva e formado em Engenharia Biomecânica, revela que a maioria dos calçados, mesmo aqueles com preços mais salgados e de marca, muitas vezes não ajudam em nada, ao contrário, até podem prejudicar o corredor. A empresa que Adamson trabalha lança no mercado brasileiro e internacional um novo modelo de tênis, que tenta ser inovador ao aplicar alguns conceitos revelados por pesquisas americanas.

O mestre em Medicina Desportiva cita um estudo realizado por Daniel Lieberman, professor do Departamento de Evolução Biológica Humana da Universidade de Harvard, e outros três colegas, que investigaram diferentes pisadas: de corredores norte-americanos com calçados e adolescentes quenianos da região do Rift Valley (o celeiro dos corredores de longa distância do Quênia) que sempre correram descalços. O resultado é surpreendente.

“Depois de muita investigação foi constatado que mesmo em superfícies mais duras, a pisada descalça é feita com a planta do pé, o que gera menos impacto que um tênis tradicional de corrida, no qual se começa a pisada pelo calcanhar”, diz o especialiasta. Ainda de acordo com ele, esses tênis projetados com mais altura no calcanhar podem provocar lesões ao invés de evitá-las. “É preciso ter um limite no gradiente de elevação desses produtos”.

Além desta falha, Adamson também alerta que centenas de tênis de marca já passaram por exames detalhados em laboratórios e a maioria deles, com poucos dias de uso, já apresentavam deformações. “Quando esses calçados recebem o peso do atleta e sofrem impacto, vários orifícios aparecem na estrutura. Muitos têm forte amortecimento e o tênis é bastante confortável, mas o material utilizado na confecção não é durável”.

Polêmica

Os diversos tênis oferecidos no mercado, personalizados para diferentes tipos de pisadas (neutra, supinada e pronada), já conquistaram um público bastante fiel, que busca corrigir a maneira errada de pisar. Entretanto, Adamson é bastante convicto sobre a ineficácia dessa tecnologia.

Para Adamson, o calçado precisa ser mais plano (mais baixo), se é supinado ou pronado, não importa. Ele relembra que décadas atrás, em época de guerra, diversas pesquisas foram feitas para saber se os soldados precisavam ou não de um sapato de acordo com o formato do pé, a fim de aumentar a agilidade do exército durante os combates. A resposta? Não era necessário. Além de ser extremamente custoso, em termos de performance o resultado seria pífio.

Mesmo nos casos mais específicos, das pessoas com pés chatos, a intervenção de sapatos “especiais”, geralmente é dispensável, porque até este tipo de pé é funcional. “A gente também descobriu que nas sociedades mais primitivas, ou as que não usam tanto sapato, as pessoas possuem os pés mais saudáveis e fortes, os calçados são responsáveis por inúmeras deformações”.

O diretor de Pesquisa & Ensino da Newton Running esclarece também que existem outros fatores com maior impacto na saúde e na perfomance dos esportistas. “A postura do atleta precisa ser levada em consideração durante a corrida. Os movimentos devem ser corretos, caso contrário há uma perda desnecessária de energia, ou até mesmo o surgimento de uma força que freia o corredor.

“O homem tem uma capacidade incrível para correr, graças ao suor, que regula a temperatura corporal. Nenhum outro animal seria capaz de permanecer mais de 24 horas correndo, haveria um super aquecimento. Então temos que desfrutar desse talento e saber como aperfeiçoar essa habilidade”, conclui Adamson, que também é heptacampeão mundial em corridas de aventura, recordista mundial de canoagem de resistência (421 quilômetros em 24 horas) e o atleta master mais rápido na Ultramaratona Badwater (2010), com 217 quilômetros, considerada a “maratona mais difícil do mundo”.

Inovação – Com base nos estudos mencionados, um novo tênis, o Newton Running, chega ao Brasil neste começo de ano e apresenta um sistema mecânico diferenciado: ao invés do corredor encostar primeiro o calcanhar no chão, o novo calçado faz o atleta primeiro tocar a pista com a parte anterior do pé. Esse tipo de movimento imita a corrida com os pés descalços, de menor impacto.

Além de ser inspirado na terceira Lei de Newton, na qual “toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido contrário”, a empresa também afirma que o calçado foi elaborado com uma característica de “membrana ativa”, para promover absorção do impacto com retorno de energia e prevenir lesões.

Veja a vitória de Abebe Bikila jogos Olímpicos de Roma, em 1960:

Fonte:http://www.webrun.com.br/home/conteudo/noticias/index/id/11798?pag=1

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